Agência Minas Gerais | Centro de Queimados do João XXIII opera primeiro paciente após padronização inédita no país de método inovador

Com 60% do corpo coberto por queimaduras de terceiro grau, uma mulher de 48 anos, moradora de Belo Horizonte, é a primeira paciente a ser operada após a padronização pioneira no Brasil da metodologia de microenxerto Meek pelo Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) Professor Ivo Pitanguy da Fhemig. Ela se acidentou ao acender uma churrasqueira usando álcool.

Rafael Assis

A cirurgia realizada nessa quarta-feira (2/4), marca o início da adoção do Meek na rotina assistencial do serviço, assim como o processo de treinamento de toda a equipe do CTQ para o uso desse método que pode reduzir de 50% para 16% o índice de mortes dos pacientes que apresentam grandes áreas do corpo queimadas.

O serviço, que é referência nacional e o maior do país em número de leitos de terapia intensiva (CTI), conta com 190 profissionais entre cirurgiões plásticos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, entre outros. Nesse primeiro momento, serão treinadas as equipes do bloco cirúrgico e da enfermagem do CTQ, assim como o pessoal da Central de Material Esterilizado (CME) do hospital, que irão compartilhar com os demais, de forma gradual, os conhecimentos adquiridos.

Meek

O Meek permite que pequenos pedaços da própria pele do paciente sejam cortados e expandidos várias vezes para cobrir uma área maior do que o pedaço original.

Com isso, são criadas “ilhas de pele” que possibilitam o crescimento de novas células entre elas e que, ao serem postas sobre as partes do corpo queimadas, fazem com que as células se multipliquem e facilitem a cicatrização, com melhor aproveitamento da pele íntegra do paciente, que serve como área doadora, podendo até mesmo salvar aqueles para os quais antes não havia chances de sobreviver.

Rafael Assis

Padronização

A cirurgiã plástica, coordenadora do CTQ e presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), Kelly Danielle de Araújo, explica que a padronização é uma oportunidade única para intensificar a eficiência operacional do serviço e, ao mesmo tempo, contribuir para o avanço do tratamento dos pacientes grandes queimados – aqueles com área corporal atingida superior a 20%. Ela ressalta que com a adoção padronizada da técnica também é esperada uma maior rotatividade de leitos, com a meta de menor taxa de infecção e de mortalidade, além da oferta de uma melhor experiência para o paciente durante a sua internação e de maior qualidade de vida no pós-operatório e no pós-alta.

O diretor assistencial do Complexo de Urgência e Emergência (CHU) da Fhemig, Samuel Cruz, destaca ainda que o CTQ abre um horizonte para a padronização da técnica em todo o país por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

Somente nos dois últimos anos, os 11 leitos de CTI do serviço – dois deles destinados a crianças – receberam quase 200 pacientes. No mesmo período, na enfermaria foram mais de 560 internações. Além disso, o ambulatório de queimados atendeu a mais de 3 mil pessoas. Em 2025 já foram realizadas 70 internações distribuídas entre o CTI e a enfermaria.